segunda-feira, 9 de outubro de 2017

O Sortilégio da Noite

 A noite, feito menina,
desce lentamente
e flutua entre  as folhas.  
Seu halo perfumado
exala sua presença
e instiga o cochicho das flores.

 A noite, menina-moça,
desliza como uma pluma
para os pássaros não acordar.
Sua boca de pecado inspira
um hino em seu louvor
por uma sinfonia de grilos.

A noite, flor-mulher,
esgueira-se inebriante
sob os insistentes olhares do luar.
Esquiva-se daqui e dali,
ao tentar dele escapar,


O destino lhes prepara uma armadilha.

A noite, palpitante,
encara o luar frente a frente
num bucólico clarão da mata.
Ele, com seu brilho de prata,
ilumina a negritude de seus cabelos
e, em longos afagos, alisa sua tez morena.

As carícias do luar espargem
toda a doçura no seu corpo virginal,
que arde no fogo da paixão.
A noite se entrega lânguida
aos carinhos de seu galanteador,
que adentra em suas entranhas.

A mata presencia um himeneu solene
que sela um compromisso perene
 diante dos seres da mãe natureza.
A dama da noite se rende lasciva
aos beijos ardentes de seu conquistador         
ao descortinar um mundo de estrelas.

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